quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Indiada em misticismo

Reflexões sobre conhecidos que vão e voltam da Índia

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Se alguém vai a Índia atrás de um guru de aluguel estará fazendo uma indiada.

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Se um guru é um guru os que o representam pelo mundo são sub-gurus.

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Há dois tipos e sub-gurus: os que “vendem o peixe” e os que tendo comprado o “peixe”, ingênua ou patologicamente acreditando-se “escolhidos” – os evangélicos chamam de “ungidos” e a Ruth os chamava de “untados” – servem para dar o testemunho avalizante para os novos desavisados sob a orientação dos primeiros.

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Quando o discípulo está pronto o mestre e seus asseclas faturam.

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Quanto mais discípulos, maior é o faturamento.

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A maracutaia mística envolve transporte aéreo e terrestre, souvenirs (travestidos de objetos de culto), hospedagem em condições miseráveis a preço cinco estrelas, gastronomia de campo de refugiados em nome da frugalidade a preços estrelados de Guia Michelin, meditação continuada para que ninguém se lembre de olhar em torno com atenção e a constante vigilância da equipe de lavagem cerebral. Um pacote tão rendoso para quem vende como letal para quem compra. As doenças contraídas pela falta de higiene, desnutrição e stress dessas viagens como as febres, diarréias, etc. são creditadas a purificação espiritual que pode ou não ter seqüelas físicas..

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Os incautos (indivíduos frágeis emocionalmente, desorientados, maria-vai-com-as-outras ou simplesmente idiotas) são o grande objetivo e mercado eleito. O diferencial da oferta é ser “discípulo de um guru vivo”.

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Alguns espertos aproximam-se de uma estrutura dessas, investem na aquisição do pacote, vão a Índia e na volta abrem as suas “franquias” as quais adicionam toda a sorte de delírios concebidos cuidadosamente para dar a resposta certa a qualquer pergunta dos seus sub-discípulos.

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Uma característica de todo esse processo atentatório contra a liberdade individual é a subserviência ao guru e aos subs. A compensação vem sob a forma de valorização da “devoção ao mestre”.

Os que não compactuam com a escolha são afastados pelo inflar da bola da vitima para não provocar questionamentos. Companheiros, filhos, familiares, amigos, todos passam a ter uma só medida: a utilidade, pois “não viram a luz”. A coisa em si é muito similar ao mecanismo do tráfico de drogas, com a vantagem de não gerar flagrante. Os filhos menores costumam ser as maiores vítimas do descaso, já que passam a serem vistos como incômodos em função das suas necessidades.

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Saudade dos sólidos manuais da Hoepli e até dos “... em 10 lições sem mestre” das Edições de Ouro. Só que eles funcionavam.

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E a “indiada”?

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Esta expressão gaúcha de grande abrangência deve ser aplicada a quem vai a Índia em busca de iluminação a pagamento. O conceito é inequívoco: fazer algo que pode gerar arrependimento, fazer algo que “dá merda”, sentir-se ridículo. Oremos que eles acordem do sonho induzido e possam rir da indiada.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

O carroceiro fantasma

Seo Antonio era agricultor. Agricultor a moda antiga: plantava, colhia e ia vender na cidade. Boa agricultura familiar orgânica sem toda a frescura de certificação. Não usava adubos químicos (nem o pouco que existia no seu tempo), Algo como “pra que isso?”

Os anos foram passando e a clientela mais que conhecida acostumada a comprar pra pagar no fim do mês. Com a idade já não era tão simples manter a labuta da terra. Mas seo Antonio não era homem de parar. Alem disso, a sua figura paternal e uma gentileza infinita, naturais dele, tinham transformado os clientes em amigos. E amigos não se abandonam.

A carroça já estava ali. Os vizinhos, também pequenos agricultores familiares acharam ótimo ter alguém que comercializasse os seus produtos pela cidade. E seo Antonio virou carroceiro. Até a clientela foi até aumentando já que ele podia circular mais vezes por semana. A cidade, Tubarão em SC, foi crescendo. Mas os hábitos antigos não mudam fácil e o “pindura” continuava a existir. Afinal era gente boa e conhecida.

Um dia seu Antonio não veio. Outro também e outro e os amigos/clientes começaram a ficar preocupados. Correu a notícia: ele estava hospitalizado. Um mês depois, alguém disse que ele tinha morrido. Consternação geral. Ficava o problema: a quem pagar as dividas? Alguns decidiram esperar mais um pouco e ver se alguém vinha cobrar. Senão procurariam a viúva e levariam o dinheiro.

Seo Antonio demorou no hospital mas estava vivo. Lá pelo terceiro mês ele reaparece nas ruas conhecidas com a carroça e os seus produtos. Entre o susto e a alegria com que foi recebido muitos aproveitaram para lhe entregar o dinheiro reservado para o pagamento. A surpresa maior foi de seo Antonio: alguns desses clientes, gente pequena mas honrada e religiosa achou que não ficava bem dever a um morto. E converteram o pagamento da divida em velas e missas por intenção de sua alma.

Seu Antonio considerou-se pago e a prova disso é que se a sua herança não chegou até os netos, a estória sim. Pois quem me contou foi a sua neta que já é avó.

domingo, 30 de novembro de 2008

O pingüim e a bicicleta

Se há uma coisa que devemos agradecer aos computadores é a possibilidade de ver o improvável. Não digo impossível neste caso porque minha relação com bicicletas é puramente iconográfica e com os pingüins, este foi o primeiro que me permitiu coçar-lhe a cabeça. Eu os encontrei ontem em momentos sucessivos mas em situações não relacionadas. Fotografados, copiados para o hd, a foto da bicicleta passou-me uma profunda sensação de solidão. Lembrem-se de Cortázar (Vietatto introdurre biciclette). A exclusão delas é algo que somente elas podem suportar com seu estoicismo.que as vezes penso ser fanático. O pingüim caminhava pela praia com seu hospedeiro, o pescador Alexandre, enquanto espera o resgate da Policia Ambiental. O link, uma chuva fina que molhava todos nós. Pensei num dialogo improvável entre os dois deslocados. O pingüim por uma fatalidade, a bicicleta por condenação eterna. E aí está. E estar aí na foto é meio caminho para a probabilidade e a possibilidade. Um lampejo faz com que eu tenha medo de publica-la: a visão de um pregador antitabagista com ela projetada num telão urrando do púlpito –“e é mais fácil um pigüim conversar com uma bicicleta do que um fumante entrar no Reino do Céu!”. Engasgo com a fumaça e digito furiosamente: “esta foto tem Copyrigth, porra!”

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Coisas da chuva

pergunto-me se esta postagem não é uma forma de tentar desculpar a natureza pelo que ela anda fazendo por aqui. (desde uma conexão emprestada)

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

domingo, 26 de outubro de 2008

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Como em Père Lachaise...

Vistas de longe são manchas na praia. Após uma noite de mar revolto, a proximidade revela verdadeiros cemitérios de seres marinhos em toda a sua diversidade e beleza. Como em Père Lachaise, a sensação de que a morte é bela.

domingo, 12 de outubro de 2008

Parabéns Dr. Morgentaler!

Na ultima Sexta, 10 de outubro o Dr. Henry Morgentaler, 85, recebeu a Ordem do Canadá em reconhecimento pela sua luta de toda uma vida profissional como médico pela descriminalização do aborto e o direito a praticas seguras para sua realização. Li a noticia no portal do Corriere della Sera (www.corriere.com) . Por aqui, nos portais nativos, nenhuma palavra. A medalha atribuída ao Dr. Morgentaler tem especial significado para todas as mulheres e homens livres. Gostaria que Ruth estivesse aqui para ver a sua alegria. Continuo a insistir: nada substitui a Liberdade. Esse polonês judeu, sobrevivente de Auschwitz, esteve preso também no mesmo Canadá pela sua militância pró-aborto seguro durante 10 meses, sofrendo um ataque cardíaco na prisão. Vejam como funciona o seu trabalho em http://www.morgentaler.ca/ . A noticia traz esperança nestes tempos em que os velhos e conhecidos Preconceito, Hipocrisia e Mentira revestem-se de modo atraente com a pele da Desinformação.
P.S.: não há nenhuma ironia quanto a data desta publicação. Apenas crença em que gerar a vida é um ato de consciência pessoal e intransferivel.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

o harpista de Blake

É interessante como esse texto de Blake pode ser aplicado ao trabalho. É chato perceber como dissociamos o trabalho daquilo que somos. Espero aprender rápido. Não importa onde estamos quando se ouve o harpista. Importa ouvi-lo.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Sobre papagaios

Já os conheci reflexivos, questionadores e principalmente mal humorados. Este é o primeiro papagaio que vejo com "ares" de bom humor. Foi na zona rural de Itajaí,SC.

sábado, 13 de setembro de 2008

Rosh Hashaná e Meio Ambiente

Para cada calendário, um Ano Novo. Hoje, primeiro dia de Tishrei, sétimo mes do calendário judaico. Para cada Ano Novo de cada calendário, um aprendizado. Neste é a lembrança do Sexto Dia da Criação, é o aniversário simbólico da Humanidade. Temos bons motivos para comemorar: estarmos vivos, o livre-arbitrio, a possibilidade de contemplação da maravilhosa diversidade do universo, Uma lista enorme de motivos, todos eles grátis e não tributáveis. Todos eles, igualmente nos remetem a uma reflexão natural: a plenitude da sua fruição é sempre coletiva e a intensidade dela é proporcional ao grau de consciência individual. Como a liberdade, que só exercemos de fato por partilha. Vivemos num planeta que nos hospeda com liberalidade e, por que não, com a alegria da sagrada hospitalidade. Hospeda-nos sim, pela curta extensão de nossa permanência. Como quem usa uma cabana de montanha como abrigo, é nosso dever, após termos nos valido de sua proteção, deixa-lo apto a servir aos que vierem. Hoje é um dia excelente para desejarmos paz, saúde, felicidade a toda a Humanidade. Quando se está doente, não basta que cessem as dores. É preciso que a saúde seja restabelecida em todo o corpo. E nós somos "células do corpo de Adam Kadmon", o arquétipo da Humanidade. Uma máxima judaica diz: "Não fique orgulhoso de si mesmo; até um inseto foi criado antes de você!", afinal, só aparecemos no sexto dia, e outra, "a Vida ensina, mas não repete". Que possamos nos lembrar e tenhamos a chance de agir a cada dia pela dignidade humana (velho sonho do Renascimento ocidental) e pela integridade do planeta, uma necessidade do nosso tempo e um dever eterno que há de perpassar as futuras gerações. Um feliz Rosh Hashaná!

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Chove...

mesmo por aqui. Tempos atrás, neste blog, mencionei uma conversa ouvida numa lanchonete em Urubici. Alguem dizia que ia fazer "madureza para sapo". Estou procurando o curso.

domingo, 7 de setembro de 2008

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

domingo, 31 de agosto de 2008

Pingüim estressado

Este foi um dos muitos pingüins que tem chegado até o litoral de SC cansados e sujos de óleo. A mancha que os colheu deve ter sido resultado de lavagem de tanque de petroleiro em mar alto. Ora, todos os petroleiros são monitorados pelos satélites militares, além dos que servem as suas respectivas empresas. Seria bastante fácil obrigar os responsáveis por isso a responderem por crime ecológico. Falta só, para variar, ética em atividade comercial, no caso internacional. Este foi resgatado por uma viatura da Polícia Ambiental de SC e foi tranqüilizante observar o grau de preparo dos policiais para esse tipo de ação.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Arrepios no Seminário

Foi hoje, em Tubarão,SC. Organização exemplar, proposta interessante, tudo perfeito. Tão eficaz que permitiu até um efeito de visualização de um futuro que pode ser evitado. Um dos palestrantes, Eng. Agrônomo Dr. Cirino Corrêa Junior/Emater/PR, durante a sua primeira palestra (foram duas) “Cultivo Orgânico de Plantas Medicinais, Aromáticas e Condimentares” disse algo que me causou e a muitos outros participantes um bocado de preocupação. Sugerindo a necessidade de estudo das plantas mais aptas para extração de óleos essenciais por seu valor mercadológico completou dizendo com todas as letras que seria necessário preparar-se para desenvolver e utilizar variantes delas geneticamente modificadas para uma maior produção de óleos. Pessoalmente, não consigo livrar-me da sensação de ter conhecido um “joão batista” na contramão da história preparando o advento indesejável de algo que, sendo gentil, eu chamaria de monstruosidade. Mais tarde, durante a segunda palestra, “Mercado de Plantas Medicinais, Aromáticas e Condimentares” respondeu a uma pequena agricultora que queria saber se poderia comercializar a sua camomila dizendo que não falava de “hortas de plantas medicinais mas de hectares e hectares plantados; que usasse a sua produção para a familia”. Como é que fica a Conferência de Alma Ata (OMS-1978)?

terça-feira, 26 de agosto de 2008

domingo, 24 de agosto de 2008

Tragédia olimpica

Nunca fui fã absoluto do Casseta & Planeta. Assim como não fui dos Beatles, da Bardot e da Jackie Onassis. Mas sempre tive um profundo respeito pela sua lucidez não-comercial, como tive pela criatividade de uns e pela beleza das outras. Daí a tristeza e orfandade (mais uma) ao ve-los queimar o rabo na China. A sua antológica frase: "...se o uísque daqui é ruim, imagine o da Jamaica!"está datada. E nada pode ser mais cruel para seres tão criativos do que ver a sua obra datada. Pecado! Um e-mail, um torpedo, poderiam te-los alertado. Na etiologia do ufanismo (moderado é verdade, mas sempre uma patologia!) está a contaminação por proximidade. Não ia dar prá escapar estando perto do Galvão Bueno (mesmo que seja só no sistema da área de RH). A dor da orfandade manifesta-se pela impossibilidade de voltar a citar a frase e o crédito, como agente de explicitação da esperança. Mas sempre haverá mérito naqueles que agem, mesmo inconscientemente em nome do Deus Único (a citação é rabínica e portanto menos sujeita a alterações). Ao expressar neste blog a minha tristeza, descobri, enquanto digitava, que o copo de Cutty Sark apoiado sobre uma multifuncional Epson ( a exiguidade de minhas acomodações o exige) embora na frente da antena do modem TimWeb, aumenta a velocidade de transmissão de dados. Porisso eu os abençoo e digo: possa a vossa lucidez voltar a brilhar e que o sr. G. Bueno vá cuidar dos seus bois Angus, pelo bem do Brasil.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

domingo, 17 de agosto de 2008

Secondo natura...

A casa do pássaro (um joão-de-barro?) está a cerca de 4 metros de altura sobre o tronco da paineira. Desocupada. O retorno da primavera trará os ocupantes de volta. Neste momento, a paineira, cumprindo o seu ciclo, é puro esqueleto. No chão, casas humanas desocupadas esperam pelos turistas que virão com o verão. Imitamos os pássaros?

sábado, 16 de agosto de 2008

Patranha institucional

A frustração dos pescadores passava um tom de raiva contida enquanto abriam a tampa do depósito quase vazio. São pequenos. Enquanto isso, com bate-bumbo midiático, o governo anuncia a liberação de verbas para aumentar a tonelagem pesqueira em grandes barcos. Permanece um fato: para pescar o quê? O peixe está diminuindo ano a ano. Benefícios sim, para estaleiros, financiadores e políticos em ano eleitoral. Conheci aqui um velho grego, "seo" Konstantino. Trocou, há alguns anos, o papel de industrial em SP pelo de profeta que clama no deserto em SC. Com uma calma e resignação excepcionais prega a formação de creatórios comunitários de peixes marinhos. Demonstra a viabilidade do projeto e já falou até com a "gente certa" de Brasília. Oferece o modelo grego que é praticado com resultados reais. Conta sorrindo que um dos seus mais atentos interlocutores, prefeito aqui na região, ao término da exposição perguntou quantos votos ganharia com isso. Mais duas gerações e a imensa maioria da população só verá peixe em estampas (adorável palavra em desuso) e na traseira de carros de católicos carismáticos.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Vida de gado

A estradinha, um desvio enquanto se arrasta a construção da ponte na principal, enlameada por dois dias de chuva obrigava a atenção e baixa velocidade. Paro atraido pela luz de fim de tarde e pelo gado na encosta. Prá estragar a cena, o estado do teto do cocho. A casa do dono é em frente, uns 20 metros. Dá vontade de apoiar vegetarianos fanáticos.

sábado, 9 de agosto de 2008

Rastreabilidade...

é isto. O resto é planilha de computador.

Na estrada

Entre Águas Mornas e S. Bonifácio há dois mirantes. Esta é a vista do segundo. Com a estrada quase vazia por chuva e queda de barreiras, o silêncio e o frio davam a paisagem a mesma imobilidade da fotografia.

sábado, 2 de agosto de 2008

Enduro em PL

Reflexão: contra a paisagem, o circo tecnológico marketeante mostra a cara mambembe. Estética "fuel station" americana.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Mandala marinha

Lamen
Com votos de boa sorte a todos os pacientes leitores(as) deste blog.

sábado, 26 de julho de 2008

Tuco18


Há uns 3 anos, conversando com um amigo de origem pantaneira radicado em SP ouvi que o boi-de-carro estava quase extinto no Mato Grosso. Seu filho mais novo, o Tuco, comemora hoje 18 anos.
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Tuco e Ademir: esta postagem é pra dizer prá vocês que o carro de boi e o boi-de-carro não vão desaparecer. Aqui, em SC, eles continuam a ser adestrados para a função e tem nas orelhas os brincos do cadastramento do rebanho animal do estado com código de barras numa e botão magnético na outra. Trabalham, como estes do "seo" Batista que aparecem carregando ramas de aipim para plantio. "Seo" Batista vive de um pequeno engenho de farinha de mandioca, como seus pais e avós. E está aumentando o plantio próprio porque hoje a demanda do produto artesanal que faz continua crescendo. Sem a consciência disso, é um homem na difícil fronteira entre tradição e modernidade.
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Meu querido Tuco, 18 anos é um dos portais da vida. Alguns já foram transpostos. Outros ainda virão. As portas de cada um são cobertas por um espelho e para que elas se abram e te recebam terás de confrontar, através da tua imagem refletida, a tua consciência. Já não és o garoto que no dia que conhecemos disse "acabei de mudar prá cá e não sei chegar em casa." Cresceste em todos os sentidos. Tua vida hoje, nos USA, te colocará todas as tentações para que erradiques a tua origem. Procura lembrar-te do que és. Sabes bem que em tua genética confluem raças com antiga experiência de determinação e tenacidade e que ajudaram a construir o Ocidente. Que elas nunca te faltem. A Tradição será sempre o fundamento da modernidade.
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Te digo, com muito carinho, por mim e por Ruth: Feliz Aniversário!!!
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P.S.: a foto foi tirada há dois dias.

domingo, 20 de julho de 2008

Ooooommmmm...

Divulgação/Paramount Pictures

O protesto de hinduístas contra o filme O Guru do Amor (The Love Guru) de Mike Myers parece mais um confronto por reserva de mercado do que um justo reclamo religioso. Há tempo que este blog vem fazendo observações sobre a exportação de misticismo (exatamente sob a forma de “auto-ajuda”) pelos gurus indianos (com assessoria de marketing, agencias de viagem, etc.). Um amigo que resolveu acompanhar a namorada numa dessas viagens “místicas” produziu um ótimo texto, infelizmente não disponível na rede e nem de divulgação autorizada (fomos poucos a receber a cópia) talvez para evitar turbulência doméstica. Uma de suas oportunas e contundentes observações diz respeito ao impacto sobre a percepção auditiva das eructações e flatulências de milhares de discípulos de um desses próceres reunidos durante a sessão diária de meditação. Eu mesmo ouvi uma “gurua” brasileira que havia ido a Índia com um grupo de discípulas(dela) para conhecerem o mestre dela, (que ela iria ver pela primeira vez) dizer a um jovem e bem intencionado terapeuta que igualmente havia ido lá para estudar técnicas ayurvédica:”- você precisa abrir logo a sua clínica antes que as pessoas esqueçam que você foi a Índia.” Se pensarmos que o mínimo custo para obter essa “iluminação” está pelos US$ 12.000,00 fica mais barato ser untado, digo, ungido pelo pessoal do Edir. É que “o charme não tem preço!” dirão tanto os otár...digo, os ingênuos quanto os safa... digo iluminados.

Bravo, Mr Myers! Que a sua comédia os enfureça tanto ao ponto de eles fazerem algo semelhante sobre os “gurus” norte-americanos similarmente pentelhos.

O filme tem a participação de Deepak Chopra. Precisa dizer mais?

Paz e Lucidez a todos.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

3.359/2002

Recebi por e-mail:
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ATENÇÃO:

Foi publicada no DIÁRIO OFICIAL em 09/01/02, a Lei de n° 3.359, de 07/01/02, que dispõe:



Art.1° - Fica proibida a exigência de depósito de qualquer natureza,para possibilitar internamento de doentes em situação de urgência e emergência, em hospitais da rede privada.

Art 2° - Comprovada a exigência do depósito, o hospital será obrigado a devolver em dobro o valor depositado ao responsável pelo internamento.

Art 3° - Ficam os hospitais da rede privada obrigados a dar possibilidade de acesso aos usuários e a afixarem em local visível a presente Lei.

Art 4° - Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

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O estranho prá mim em fazer uma foto desta é que tenho apenas que abrir um pouco a janela do quarto (prá nao entrar o frrrio da manhã) e passar a camera pro modo tele enquanto esquento a água pro café solúvel. Como urbanóide renitente, é chocante!

domingo, 13 de julho de 2008

Dia do Rock

Hoje é Dia do Rock. Ainda é Dia de Rock, mesmo com Zé Vicente tendo partido no ano que passou. Será sempre! Até que mude um planeta inteiro. Tradição não é Estagnação. Demorará em que isso seja verdade universal. Mas a força da vida é maior ... e vencerá! O próprio blog tem no seu dna mais do rock que da cibernética.

....Feliz Dia do Rock! E não esqueçam...

Teach Your Children

( Crosby, Stills and Nash )

You, who are on the road,
Must have a code that you can live by.
And so, become yourself,
Because the past is just a good bye.
Teach your children well,
Their father's hell did slowly go by.
And feed them on your dreams,
The one they picks, the one you'll know by.

Don't you ever ask them why, if they told you, you will cry,
So just look at them and sigh and know they love you.

And you, of tender years,
Can't know the fears that your elders grew by.
And so please help them with your youth,
They seek the truth before they can die.
Teach your parents well,
Their children's hell will slowly go by.
And feed them on your dreams,
The one they picks, the one you'll know by.

Don't you ever ask them why, if they told you, you will cry,
So just look at them and sigh and know they love you.......

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Dia 7 amanhecendo aqui (PL)

Confesso! Pensei que Hiroshigue tinha brigado com um anjo e jogado seus pigmentos para baixo.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Gamboa/Lampedusa

"... il fruscio delle ultime spume sulle spiagge, il passaggio dei venti sulle onde lunari, il canto delle Sirene…"

Giuseppe Tomasi di Lampedusa (1896-1957), in La Sirena (in memoriam)

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Pergunta

Eles nos olham das fotografias amarelecidas. Encaram-nos como tantos pais de sonhos de Liberdade e Democracia. Não parecem super-homens. Antes, há um quê de angélico nesses olhares. Talvez por isso mesmo a pergunta seja tão necessária. Por nós, por eles... pelo Brasil!

terça-feira, 8 de julho de 2008

...tutto il mondo è paese...

Políticos em ano eleitoral esmeram-se em açoes continuistas travestidas de serviço público. E nós, os eleitores pagamos o pato.

sábado, 5 de julho de 2008

Até sempre, São Paulo!

protobandeira paulista de julho de 1932


Mais uma vez te deixo. Mas não será como as outras. Tomo o caminho do sul como fizeram, há séculos muitos dos teus filhos. Mandava-os el-Rey. A mim, manda-me a vida. De seu exemplo e memória, anima-me o desejo de servir. Não a el-Rey, mas ao próximo, como forma de servir a Deus.



Foi benção e privilégio ter-te por berço. Teu amor pelo Brasil parece nos impregnar, a todos, desde o ventre materno. Muitos tiveram a honra de exprimir esse amor nas horas difíceis desta terra. Dois deles são colunas mestras do exemplo: Amador Bueno e Julio Marcondes Salgado. E se de outros fossemos dizer nomes, que imensa lista de luzeiros produziste em teu chão. De Sacramento aos Guararapes, deixaram seus ossos como testemunho da tua vontade de união. Por teres compreendido melhor do que ninguém o sonho dos pobres cavaleiros do Templo. Porto seguro para exilados, indígena, português, espanhol, mameluco, europeu e nordestino, todas essa faces te pertencem. Caldeaste o anonimato dos deserdados em liberdade, dignidade e cidadania. Talvez os jovens, privados da tua história, não te conheçam desse modo. Mas lança teu chamado e verás do que a tua voz é capaz. Não foi assim em ’32? Ali nasceu também a tua bandeira, Bandeira de Treze Listras. Quantas outras existem em nossa América forjadas com sangue e coragem no lume da batalha? Três cores: preto, branco e vermelho. Cores da terra, moídas em pilão de pedra, diluídas na água da espada. Simbolismo de Irmãos Antigos que cruzaram o oceano de sonho para materializar a alegoria. É isto o que sempre foste. Retorta do Divino Mestre para a grande obra da Fraternidade. Sabe quem deve que negra é a matéria original e branca a lavoração que conduz ao ouro rubro da primeira manhã. São tão poucos os que hoje se lembram. Mas o Espírito vive mesmo no esquecimento. Um ultimo pedido: mesmo sem outro mérito alem do amor que me liga a ti, quando chegar a hora final, possa o meu nome ser incluído no kaddish que teus rios dizem todas as manhãs pelos que se foram.