* não resisti a manutenção da forma original pelo aspecto humoristico.
Fontes: Corriere della Sera, seção “Salute” / Projeto Healthgrain (http://www.healthgrain.org/pub/index.php)
Com o reajuste do preço do gás boliviano e a aprovação pelo Senado da entrada de Chavez (a Venezuela é apenas uma de suas propriedades) no Mercosul o Brasil o nosso ex-retirante, ex-operário, ex-tribuno das massas proletárias, ex-presidente do Brasil consolida-se na condição tão almejada de Vice-Rey do Império Bolivariano (em construção). Que cada cidadão brasileiro digno deste nome diga olhando-se num espelho: “Meus pêsames!”
Entre os espelhos do metro japones para inibir suicidios e a orangotango Nonja do zoologico de Viena que fotografa em troca de uva passa, pra quem não acredita:
http://www.facebook.com/pages/Nonja/190010092116,
um pensamento de saudade e respeito por Discepolo* citado ainda ontem pela Graziela enquanto pintava um poste numa rua das Termas de Gravatal,SC.
*vide "Cambalache",1935
http://www.beth-shalom.com.br/artigos/nao_ahmadinejad.html 
O furor proibicionista da Prefeitura de São Paulo parece ter suas raízes na conduta do próprio apóstolo homônimo. Como ele, o governo municipal transforma em dogmas e leis marcadas por punições leviticas (ou draconianas) as neuroses do governante de turno. Teve mais sorte o apostolo que criou o corpo doutrinário do cristianismo porque sua obra nos permite supor a existência de uma máquina-do-tempo operada secretamente pelo lobby dos analistas freudianos. Só que não basta o protofascismo apostólico em tempos de Web. É preciso algum senso de ridículo para garantir, mesmo superficialmente, a plausibilidade das proibições.
As pedras de gelo caindo no copo baixo de uísque com idade para ter estado entre Ginger & Fred , presente de uma tia já falecida parecem banda sonora da MGM; o fluxo dourado do White Horse; os gatos dormindo em torno, a Pacha (au-au!) em sua casinha depois de devorar a generosa “limpeza” de um músculo bovino que passou pela panela até desmanchar; o quadro da Marilda suspenso a minha frente, a omnipresente escada de alumínio; as caixas de papelão esvaziadas e dobradas; convivem neste momento com a Egmont Overture de Beethoven. (regência de Sir Albert Boult com a BBC Symphony Orchestra em uma gravação de 1972. Num brinde solitário ergo o copo e abençôo a casa, os animais, os vizinhos (sejam quem forem) e digo para mim mesmo: Scholem Aleichem! Bem-vindo a Gravatal-SC! Este é o teu lar agora.”
Durante a abertura das caixas de mudança encontrei o Dicionário Kazar (de Milorad Pavitch, edição masculina da Marco Zero com dedicatória da Ruth de 4-6-1989:” ... Aproveita o teu talento de caçador de sonhos para apanhar alguma caça importante. És tu quem comanda; cuidado portanto com o que vais decidir ...” e completa a citação dizendo:”- É o que te manda dizer o Livro Santo. O resto está aí dentro (do livro) ... divirta-se!!” Penso: “farei o possível sem você!” E aguardo do cd as Danças Polovitsianas de Borodin que povoaram a minha adolescidade (“idade de pedra e paz “no dizer de Caetano quando ainda lúcido). Thank you! God save the BBC! E a tecnologia a que tive acesso, e as amigas e amigos que a vida me trouxe! E a uma saudade tão imensa quanto indefinida que dá vontade de plasmar em celulóide (um anacronismo em tempos de filme digital). A Stranger in Paradise faz parte das Danças.Tenho acordado as 4 da manhã., plenamente desperto depois de sonhar que estou abrindo caixas de mudança e levanto-me para abri-las. Hoje vou dormir, nem que seja graças ao Cavalinho Branco.Uma decisão: volto a bloggar.
Troco o cd, Orff já me tungou duas vezes. Maldito Orff! Mesmo assim não escapo de Carmina Burana. Vendetta! “In taberna” soa e cheira a Gershwin; Banziflor & Helena é puro jazz americano. No entanto resta-me lucidez (!?!?) para rejeitar terceiros dizendo: “-Merda a ti Holst! Não se insinue no meu delírio!” Paro oportunamente em “Ut dem Anger” e lhes digo “ Boa noite!” Estejam certos: cheguei a Gravatal-SC! Lá fora chove! Ave Santo Agostinho dos Santos!
Poderiam ser personagens de um triangulo amoroso em literatura de cordel. Não são! São confeitos populares do litoral sul catarinense. Soube deles pela Mari, a líder de uma padaria comunitária chamada Vitória no bairro dos Bentos em Laguna. Estes da foto são os Birorós, uma massa de batata-doce, ovos, farinha de trigo e fermento. A Bijijica ,que ainda não conheci, também pode ser chamada regionalmente de Bijajica. O Mane-pança também me deixou curioso por ser de cocção no vapor (feito de aipim e amendoim) em uma panela-frankenstein de fabricação caseira metade de pressão, metade formada por um alguidar cerâmico ajustado com argila. Por enquanto, foto, só dos Birorós. Estes são da Padaria Alternativa Vitória.
Da manifestação e da sobrevivência primária Começa com uma irresistível necessidade de portar um guarda-chuva. Dos convencionais, não dobráveis. O próximo passo é constatar a necessidade de comprar papel higiênico num domingo por volta das 5 da tarde. Depois a incapacidade de fazer listas de compra para supermercado. Com uma agravante: quando feitas,ou são inúteis (desatualizadas quando encontradas) ou perdidas (definitivamente). A simples lavagem dos óculos que passa a ser feita só depois que uma carreta te ultrapassa em dia de chuva forte e a janela do carro está aberta para fumar é um sintoma. O café passa a ser solúvel, quente no inicio, frio depois de algumas semanas. A alimentação torna-se instintivamente orientalista (macarrão instantâneo) e a sofisticação fica por conta da escola chinesa Kun Quiten. O ovo de Colombo da instant food são os ovos. Muitos, constantes, batidos desordenadamente e misturados a água de cocção do macarrão instantâneo (coloque na água fervente antes do macarrão, deixe endurecer e fracione-os, assim não passarão pelo escorredor) ou fritos. Nessa hora, o tempo passado na estrada ajuda. Com bacon, “revueltos” andinos, com batatas cortadas bem finas e manjericão, com páprica e pimenta-do-reino, com tiras fininhas de berinjela que são as primeiras a ocupar a frigideira (não esqueça de tampar com 4 colheres de sopa de água dentro). As omeletes merecem respeito quando menos pela aproximação fonética com o texto do bardo inglês. Não use ervilhas nem milho em lata. Só contribuirão para deprimi-lo por causa da sua obviedade. Já cebolas e alho são bem-vindas tanto douradas antes como raladas e misturadas a fase final. Sempre nas civilizadas frigideiras antiaderentes. Fuja da Sadia e agora, da Perdigão também. Lembre-se da Aurora e da Marba, muito melhores. Compre uma pequena peneira que caiba no fundo de um igualmente pequeno pirex com tampa, colocada em sentido contrário ao do uso normal. Apóie algumas lingüiças com alguns furos nelas sobre ela e leve ao microondas. Seu almoço ou jantar está salvo e o excesso de gordura no fundo do pirex. Não esqueça dos enlatados. Embora a feijoada em lata seja cancerígena (nitritos), se usada com moderação, (creio que ela diminuirá a minha vida natural em apenas 5 dias por unidade), te deixará com a sensação de vida normal. Alguns caem na tentação do refrigerante. Tragédia, obesidade e depressão. O mais seguro é ficar com os destilados tomados antes das refeições e/ou depois delas. Quanto as roupas, desista dessa obsessão por meias idênticas nos dois pés. Isso é manifestação de TOC. Basta que sejam da mesma cor para não despertar piedade ou risos – mas para isso use sempre meias lisas. Ou não use. Passar roupas é uma afronta a preservação de recursos energéticos. Pentear os cabelos é um luxo dispensável. Corte-os bem curtos ou use um boné. Camisetas escuras são mais fáceis de lavar. Consulte sempre a sua geladeira. Aqueles imãs antigos são a sua segurança quanto a fornecedores testados e aprovados como lavanderias, farmácias e entregadoras de gás. Não tente nem deixe ternos para lavar em casa. Não haverá ninguém para te avisar antecipadamente de compromissos formais. Use jeans sempre que possível e aprenda a lava-los. Faça um mapeamento das lojas de conveniência e bares 24 horas mais próximos da sua casa. Se ficar sem cigarros a meia noite, consulte o mapa. Tente viver com o mínimo possível de urgências e a sua autonomia será ampliada.
Continua ... (só não sei quando)
P.S.: reflexões originárias da aplicação da única lei brasileira que ninguém recusa a cumprir – a Lei do Mínimo Esforço.