quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
Da Visitação pós-natalina
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
Mais um motivo de luto
Com o reajuste do preço do gás boliviano e a aprovação pelo Senado da entrada de Chavez (a Venezuela é apenas uma de suas propriedades) no Mercosul o Brasil o nosso ex-retirante, ex-operário, ex-tribuno das massas proletárias, ex-presidente do Brasil consolida-se na condição tão almejada de Vice-Rey do Império Bolivariano (em construção). Que cada cidadão brasileiro digno deste nome diga olhando-se num espelho: “Meus pêsames!”
sábado, 5 de dezembro de 2009
Wonderful Web
Entre os espelhos do metro japones para inibir suicidios e a orangotango Nonja do zoologico de Viena que fotografa em troca de uva passa, pra quem não acredita:
http://www.facebook.com/pages/Nonja/190010092116,
um pensamento de saudade e respeito por Discepolo* citado ainda ontem pela Graziela enquanto pintava um poste numa rua das Termas de Gravatal,SC.
*vide "Cambalache",1935
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
sábado, 28 de novembro de 2009
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
domingo, 22 de novembro de 2009
Amanhã:dia de Vergonha Nacional
http://www.beth-shalom.com.br/artigos/nao_ahmadinejad.html quarta-feira, 18 de novembro de 2009
Tempos modernos

O furor proibicionista da Prefeitura de São Paulo parece ter suas raízes na conduta do próprio apóstolo homônimo. Como ele, o governo municipal transforma em dogmas e leis marcadas por punições leviticas (ou draconianas) as neuroses do governante de turno. Teve mais sorte o apostolo que criou o corpo doutrinário do cristianismo porque sua obra nos permite supor a existência de uma máquina-do-tempo operada secretamente pelo lobby dos analistas freudianos. Só que não basta o protofascismo apostólico em tempos de Web. É preciso algum senso de ridículo para garantir, mesmo superficialmente, a plausibilidade das proibições.
terça-feira, 17 de novembro de 2009
domingo, 4 de outubro de 2009
domingo, 27 de setembro de 2009
Refundação
As pedras de gelo caindo no copo baixo de uísque com idade para ter estado entre Ginger & Fred , presente de uma tia já falecida parecem banda sonora da MGM; o fluxo dourado do White Horse; os gatos dormindo em torno, a Pacha (au-au!) em sua casinha depois de devorar a generosa “limpeza” de um músculo bovino que passou pela panela até desmanchar; o quadro da Marilda suspenso a minha frente, a omnipresente escada de alumínio; as caixas de papelão esvaziadas e dobradas; convivem neste momento com a Egmont Overture de Beethoven. (regência de Sir Albert Boult com a BBC Symphony Orchestra em uma gravação de 1972. Num brinde solitário ergo o copo e abençôo a casa, os animais, os vizinhos (sejam quem forem) e digo para mim mesmo: Scholem Aleichem! Bem-vindo a Gravatal-SC! Este é o teu lar agora.”
Durante a abertura das caixas de mudança encontrei o Dicionário Kazar (de Milorad Pavitch, edição masculina da Marco Zero com dedicatória da Ruth de 4-6-1989:” ... Aproveita o teu talento de caçador de sonhos para apanhar alguma caça importante. És tu quem comanda; cuidado portanto com o que vais decidir ...” e completa a citação dizendo:”- É o que te manda dizer o Livro Santo. O resto está aí dentro (do livro) ... divirta-se!!” Penso: “farei o possível sem você!” E aguardo do cd as Danças Polovitsianas de Borodin que povoaram a minha adolescidade (“idade de pedra e paz “no dizer de Caetano quando ainda lúcido). Thank you! God save the BBC! E a tecnologia a que tive acesso, e as amigas e amigos que a vida me trouxe! E a uma saudade tão imensa quanto indefinida que dá vontade de plasmar em celulóide (um anacronismo em tempos de filme digital). A Stranger in Paradise faz parte das Danças.Tenho acordado as 4 da manhã., plenamente desperto depois de sonhar que estou abrindo caixas de mudança e levanto-me para abri-las. Hoje vou dormir, nem que seja graças ao Cavalinho Branco.Uma decisão: volto a bloggar.
Troco o cd, Orff já me tungou duas vezes. Maldito Orff! Mesmo assim não escapo de Carmina Burana. Vendetta! “In taberna” soa e cheira a Gershwin; Banziflor & Helena é puro jazz americano. No entanto resta-me lucidez (!?!?) para rejeitar terceiros dizendo: “-Merda a ti Holst! Não se insinue no meu delírio!” Paro oportunamente em “Ut dem Anger” e lhes digo “ Boa noite!” Estejam certos: cheguei a Gravatal-SC! Lá fora chove! Ave Santo Agostinho dos Santos!
terça-feira, 23 de junho de 2009
Biroró, Mané-pança e Bijijica
Poderiam ser personagens de um triangulo amoroso em literatura de cordel. Não são! São confeitos populares do litoral sul catarinense. Soube deles pela Mari, a líder de uma padaria comunitária chamada Vitória no bairro dos Bentos em Laguna. Estes da foto são os Birorós, uma massa de batata-doce, ovos, farinha de trigo e fermento. A Bijijica ,que ainda não conheci, também pode ser chamada regionalmente de Bijajica. O Mane-pança também me deixou curioso por ser de cocção no vapor (feito de aipim e amendoim) em uma panela-frankenstein de fabricação caseira metade de pressão, metade formada por um alguidar cerâmico ajustado com argila. Por enquanto, foto, só dos Birorós. Estes são da Padaria Alternativa Vitória.
quinta-feira, 18 de junho de 2009
quarta-feira, 10 de junho de 2009
quinta-feira, 4 de junho de 2009
segunda-feira, 1 de junho de 2009
Sindrome do Viúvo (1)
Da manifestação e da sobrevivência primária Começa com uma irresistível necessidade de portar um guarda-chuva. Dos convencionais, não dobráveis. O próximo passo é constatar a necessidade de comprar papel higiênico num domingo por volta das 5 da tarde. Depois a incapacidade de fazer listas de compra para supermercado. Com uma agravante: quando feitas,ou são inúteis (desatualizadas quando encontradas) ou perdidas (definitivamente). A simples lavagem dos óculos que passa a ser feita só depois que uma carreta te ultrapassa em dia de chuva forte e a janela do carro está aberta para fumar é um sintoma. O café passa a ser solúvel, quente no inicio, frio depois de algumas semanas. A alimentação torna-se instintivamente orientalista (macarrão instantâneo) e a sofisticação fica por conta da escola chinesa Kun Quiten. O ovo de Colombo da instant food são os ovos. Muitos, constantes, batidos desordenadamente e misturados a água de cocção do macarrão instantâneo (coloque na água fervente antes do macarrão, deixe endurecer e fracione-os, assim não passarão pelo escorredor) ou fritos. Nessa hora, o tempo passado na estrada ajuda. Com bacon, “revueltos” andinos, com batatas cortadas bem finas e manjericão, com páprica e pimenta-do-reino, com tiras fininhas de berinjela que são as primeiras a ocupar a frigideira (não esqueça de tampar com 4 colheres de sopa de água dentro). As omeletes merecem respeito quando menos pela aproximação fonética com o texto do bardo inglês. Não use ervilhas nem milho em lata. Só contribuirão para deprimi-lo por causa da sua obviedade. Já cebolas e alho são bem-vindas tanto douradas antes como raladas e misturadas a fase final. Sempre nas civilizadas frigideiras antiaderentes. Fuja da Sadia e agora, da Perdigão também. Lembre-se da Aurora e da Marba, muito melhores. Compre uma pequena peneira que caiba no fundo de um igualmente pequeno pirex com tampa, colocada em sentido contrário ao do uso normal. Apóie algumas lingüiças com alguns furos nelas sobre ela e leve ao microondas. Seu almoço ou jantar está salvo e o excesso de gordura no fundo do pirex. Não esqueça dos enlatados. Embora a feijoada em lata seja cancerígena (nitritos), se usada com moderação, (creio que ela diminuirá a minha vida natural em apenas 5 dias por unidade), te deixará com a sensação de vida normal. Alguns caem na tentação do refrigerante. Tragédia, obesidade e depressão. O mais seguro é ficar com os destilados tomados antes das refeições e/ou depois delas. Quanto as roupas, desista dessa obsessão por meias idênticas nos dois pés. Isso é manifestação de TOC. Basta que sejam da mesma cor para não despertar piedade ou risos – mas para isso use sempre meias lisas. Ou não use. Passar roupas é uma afronta a preservação de recursos energéticos. Pentear os cabelos é um luxo dispensável. Corte-os bem curtos ou use um boné. Camisetas escuras são mais fáceis de lavar. Consulte sempre a sua geladeira. Aqueles imãs antigos são a sua segurança quanto a fornecedores testados e aprovados como lavanderias, farmácias e entregadoras de gás. Não tente nem deixe ternos para lavar em casa. Não haverá ninguém para te avisar antecipadamente de compromissos formais. Use jeans sempre que possível e aprenda a lava-los. Faça um mapeamento das lojas de conveniência e bares 24 horas mais próximos da sua casa. Se ficar sem cigarros a meia noite, consulte o mapa. Tente viver com o mínimo possível de urgências e a sua autonomia será ampliada.
Continua ... (só não sei quando)
P.S.: reflexões originárias da aplicação da única lei brasileira que ninguém recusa a cumprir – a Lei do Mínimo Esforço.terça-feira, 19 de maio de 2009
quinta-feira, 14 de maio de 2009
domingo, 10 de maio de 2009
terça-feira, 5 de maio de 2009
terça-feira, 14 de abril de 2009
terça-feira, 7 de abril de 2009
Sta. Catarina pede socorro!
Recebi este e-mail e creio que é mais do que pertinente:
Em 06/04/2009 14:07, < . . . @mma.gov.br escreveu:
Vamos colaborar?
Urgente!!!
Não costumo repassar pedidos de ajuda, mas esse... me comoveu !
*Por favor repassem esse pedido de socorro
urgente!!!!!!!!**
* Uma facção criminosa seqüestrou ontem,
aqui SC, os 31 deputados Estaduais que aprovaram o novo código ambiental e o
Governador do Estado Luiz Henrique da Silveira.
Agora estão solicitando US$ 1.000.000,00 para sua libertação.
Se não for cumprido em 24 horas, vão banhá-los com combustível e os queimarão vivos.
Estamos organizando uma coleta e necessitamos da sua ajuda !
Veja o que conseguimos até agora:
- 580 litros de Gasolina Aditivada
- 320 litros de gasolina Premium
- 125 litros de diesel
- 175 de gasolina convencional
- 98 litros de Biodisel
- 38 caixas de fósforos
- 21 isqueiros
- 7 lança chamas
- 21 isqueiros e...
- 108 sacos de carvão
*Não mandem álcool, pois há o risco do mesmo ser consumido pelos
deputados.*
*Aceita-se também botijão de gás.**
Se você apagar essa mensagem, é porque não tem coração... Por favor,
leia e ajude .
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CorreioMM@ - Ministerio do Meio Ambiente
domingo, 5 de abril de 2009
quinta-feira, 26 de março de 2009
quarta-feira, 18 de março de 2009
terça-feira, 10 de março de 2009
domingo, 8 de março de 2009
sábado, 28 de fevereiro de 2009
sábado, 21 de fevereiro de 2009
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
Dia Mundial de Combate...
... ao Câncer. Que um dia seja também o de "Combate a Quimioterapia (QT) e Radioterapia (RT) Irresponsáveis", Combate por uma Ética Oncológica Real", Combate pela Liberação e Adoção da Fosfoetanolamina no Serviço Público de Saúde", "Combate pelo Direito de Informação sobre a Patologia e seus reais indices de Cura" e tantos Combates que fazem o dia-a-dia da guerra contra o câncer. Não custa manter a esperança! É uma guerra de libertação que os vivos travam em nome dos seus mortos e de todos os mortos pelo CA!terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
sábado, 24 de janeiro de 2009
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
domingo, 18 de janeiro de 2009
Incrível porem verdade!

É verdade que fritura nunca foi a minha praia. Anteontem, por uma dessas e estranhas e improvaveis situações tive nas mãos uma frigideira e aipim pré-cozido. O.K.! Levei 58 anos para fritar meu primeiro aipim - e a foto está aí para que ninguem duvide. Isto me torna algo como um dos legitimos descendentes pós-modernos de Kaspar Hauser. Já escolhi meu próximo desafio: fritarei uma foto de peixe para reduzir os riscos do ensaio-e-erro. E na próxima encadernação, digo, encarnação, talvez consiga fazer um chow-fan decente.quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
Indiada em misticismo
Reflexões sobre conhecidos que vão e voltam da Índia
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Se alguém vai a Índia atrás de um guru de aluguel estará fazendo uma indiada.
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Se um guru é um guru os que o representam pelo mundo são sub-gurus.
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Há dois tipos e sub-gurus: os que “vendem o peixe” e os que tendo comprado o “peixe”, ingênua ou patologicamente acreditando-se “escolhidos” – os evangélicos chamam de “ungidos” e a Ruth os chamava de “untados” – servem para dar o testemunho avalizante para os novos desavisados sob a orientação dos primeiros.
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Quando o discípulo está pronto o mestre e seus asseclas faturam.
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Quanto mais discípulos, maior é o faturamento.
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A maracutaia mística envolve transporte aéreo e terrestre, souvenirs (travestidos de objetos de culto), hospedagem em condições miseráveis a preço cinco estrelas, gastronomia de campo de refugiados em nome da frugalidade a preços estrelados de Guia Michelin, meditação continuada para que ninguém se lembre de olhar em torno com atenção e a constante vigilância da equipe de lavagem cerebral. Um pacote tão rendoso para quem vende como letal para quem compra. As doenças contraídas pela falta de higiene, desnutrição e stress dessas viagens como as febres, diarréias, etc. são creditadas a purificação espiritual que pode ou não ter seqüelas físicas..
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Os incautos (indivíduos frágeis emocionalmente, desorientados, maria-vai-com-as-outras ou simplesmente idiotas) são o grande objetivo e mercado eleito. O diferencial da oferta é ser “discípulo de um guru vivo”.
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Alguns espertos aproximam-se de uma estrutura dessas, investem na aquisição do pacote, vão a Índia e na volta abrem as suas “franquias” as quais adicionam toda a sorte de delírios concebidos cuidadosamente para dar a resposta certa a qualquer pergunta dos seus sub-discípulos.
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Uma característica de todo esse processo atentatório contra a liberdade individual é a subserviência ao guru e aos subs. A compensação vem sob a forma de valorização da “devoção ao mestre”.
Os que não compactuam com a escolha são afastados pelo inflar da bola da vitima para não provocar questionamentos. Companheiros, filhos, familiares, amigos, todos passam a ter uma só medida: a utilidade, pois “não viram a luz”. A coisa em si é muito similar ao mecanismo do tráfico de drogas, com a vantagem de não gerar flagrante. Os filhos menores costumam ser as maiores vítimas do descaso, já que passam a serem vistos como incômodos em função das suas necessidades.
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Saudade dos sólidos manuais da Hoepli e até dos “... em 10 lições sem mestre” das Edições de Ouro. Só que eles funcionavam.
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E a “indiada”?
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Esta expressão gaúcha de grande abrangência deve ser aplicada a quem vai a Índia em busca de iluminação a pagamento. O conceito é inequívoco: fazer algo que pode gerar arrependimento, fazer algo que “dá merda”, sentir-se ridículo. Oremos que eles acordem do sonho induzido e possam rir da indiada.
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
O carroceiro fantasma
Seo Antonio era agricultor. Agricultor a moda antiga: plantava, colhia e ia vender na cidade. Boa agricultura familiar orgânica sem toda a frescura de certificação. Não usava adubos químicos (nem o pouco que existia no seu tempo), Algo como “pra que isso?”
Os anos foram passando e a clientela mais que conhecida acostumada a comprar pra pagar no fim do mês. Com a idade já não era tão simples manter a labuta da terra. Mas seo Antonio não era homem de parar. Alem disso, a sua figura paternal e uma gentileza infinita, naturais dele, tinham transformado os clientes em amigos. E amigos não se abandonam.
A carroça já estava ali. Os vizinhos, também pequenos agricultores familiares acharam ótimo ter alguém que comercializasse os seus produtos pela cidade. E seo Antonio virou carroceiro. Até a clientela foi até aumentando já que ele podia circular mais vezes por semana. A cidade, Tubarão em SC, foi crescendo. Mas os hábitos antigos não mudam fácil e o “pindura” continuava a existir. Afinal era gente boa e conhecida.
Um dia seu Antonio não veio. Outro também e outro e os amigos/clientes começaram a ficar preocupados. Correu a notícia: ele estava hospitalizado. Um mês depois, alguém disse que ele tinha morrido. Consternação geral. Ficava o problema: a quem pagar as dividas? Alguns decidiram esperar mais um pouco e ver se alguém vinha cobrar. Senão procurariam a viúva e levariam o dinheiro.
Seo Antonio demorou no hospital mas estava vivo. Lá pelo terceiro mês ele reaparece nas ruas conhecidas com a carroça e os seus produtos. Entre o susto e a alegria com que foi recebido muitos aproveitaram para lhe entregar o dinheiro reservado para o pagamento. A surpresa maior foi de seo Antonio: alguns desses clientes, gente pequena mas honrada e religiosa achou que não ficava bem dever a um morto. E converteram o pagamento da divida em velas e missas por intenção de sua alma.
Seu Antonio considerou-se pago e a prova disso é que se a sua herança não chegou até os netos, a estória sim. Pois quem me contou foi a sua neta que já é avó.
quarta-feira, 31 de dezembro de 2008
quinta-feira, 25 de dezembro de 2008
domingo, 30 de novembro de 2008
O pingüim e a bicicleta
Se há uma coisa que devemos agradecer aos computadores é a possibilidade de ver o improvável. Não digo impossível neste caso porque minha relação com bicicletas é puramente iconográfica e com os pingüins, este foi o primeiro que me permitiu coçar-lhe a cabeça. Eu os encontrei ontem em momentos sucessivos mas em situações não relacionadas. Fotografados, copiados para o hd, a foto da bicicleta passou-me uma profunda sensação de solidão. Lembrem-se de Cortázar (Vietatto introdurre biciclette). A exclusão delas é algo que somente elas podem suportar com seu estoicismo.que as vezes penso ser fanático. O pingüim caminhava pela praia com seu hospedeiro, o pescador Alexandre, enquanto espera o resgate da Policia Ambiental. O link, uma chuva fina que molhava todos nós. Pensei num dialogo improvável entre os dois deslocados. O pingüim por uma fatalidade, a bicicleta por condenação eterna. E aí está. E estar aí na foto é meio caminho para a probabilidade e a possibilidade. Um lampejo faz com que eu tenha medo de publica-la: a visão de um pregador antitabagista com ela projetada num telão urrando do púlpito –“e é mais fácil um pigüim conversar com uma bicicleta do que um fumante entrar no Reino do Céu!”. Engasgo com a fumaça e digito furiosamente: “esta foto tem Copyrigth, porra!”




































