quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Da Visitação pós-natalina


Tempos mágicos estes que entremeiam o Natal e o Dia de Reis! Mesmo sem ser cristão, a mítica tradicional ainda subjacente ao bombardeamento da ansiedade comercial acaba por fazer-me relembrar as estórias de presépios e reis magos vaticanamente introjetadas na minha infância.


Porisso mesmo acho que fiquei perturbado ontem quando meus vizinhos anunciaram a presença de bois no meu jardim. Explico-me: meu “jardim” é a parte frontal da casa que se transforma num matagal a cada semana de chuvas catarinenses ( o que quer dizer, sempre!). E os “bois” eram bois mesmo! Mais exatamente Cadetes de boi-de-carro.

Eles estavam lá. E isso fez com que eu passasse a tarde como babá de bois. Claro que contei com a solidariedade dos vizinhos empenhados até em descobrir o dono da dupla, donde constou ser o Seu Nequinho, seja ele quem for. Durante a tarde toda as pessoas que passavam pela rua paravam e observavam os bois naquele pequeno espaço a pastar com uma determinação férrea o suficiente para obter o reconhecimento do seu profissionalismo como aparadores ecologicamente corretos de grama, coisa que me apressei a informar aos transeuntes aparvalhados. Devo ter-me transformado na curiosidade municipal de turno. Já escurecendo o remédio foi acessar a Policia Militar de Santa Catarina que conseguiu localizar um amigo do seu Nequinho para retirar os bois. Não posso negar que a partida deles não deixou um vazio no meu “jardim” alem de uma boa quantidade de esterco.

Algumas perguntas ficam dessa experiência surrealista (afinal defino-me como um urbanóide convicto!): será um sinal para ressuscitar o culto de Mitra? Será que eles escaparam da imobilidade de um presépio? Ou será que eles entraram porque a grama estava alta e o portão aberto como os cachorros nas igrejas? Seja qual for a hipótese, tenho um bocado de que ocupar-me sem precisar matar o tempo com decisões de Ano Novo.

Parafraseando o Cidão, doublè de surfista e arquiteto, os bois são o boi!